Entrevistas

Prefeitos Rodrigo Rossoni-Bitiruna (PR), Andrei Gonçalves- Juazeiro (BA) e Edmir Chedid -Bragança Paulista (SP)

 

Prefeito Edmir chedid Bragança Paulista (SP) – Foto cedida pela prefeitura

TARIFAÇO DE TRUMP:  PREFEITOS ENFRENTAM CHOQUES DE EMPREGO, ARRECADAÇÃO E SERVIÇOS

Com tarifas que chegam a 50% sobre várias categorias de produtos, os efeitos  refletem em queda de exportações e risco de desemprego; governo federal negocia com os EUA enquanto municípios correm para proteger empregos e receitas locais

O aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros — a chamada onda de “tarifaço” — deixou de ser apenas uma notícia de comércio exterior para se transformar em um problema de gestão pública local. Desde agosto, quando foram anunciadas as medidas que, em alguns casos, somam até 50% de sobretaxa, cadeias produtivas inteiras vêm registrando perda de mercado, queda nas encomendas e revisões de planejamento que reverberam até o orçamento das prefeituras.

Os números preliminares já acendem um alerta: estimativas de instituições importantes divergem quanto à magnitude do choque, mas convergem na direção de danos relevantes à ocupação e à arrecadação. Levantamentos de institutos de pesquisa apontam que as perdas de emprego podem variar de algumas centenas de milhares até algo próximo a 700 mil postos, dependendo do cenário considerado, com efeitos diretos sobre contribuições previdenciárias e depósitos no FGTS.

Na ponta local, dados de comércio exterior por município e análises setoriais mostram que cidades portuárias e polos industriais já registram queda nas vendas ao mercado dos EUA — em setembro, municípios como o Rio de Janeiro lideraram retrações expressivas nas exportações para aquele destino. O resultado é um efeito imediato sobre a arrecadação local, atividade econômica noturna, cadeia de fornecedores e renda das famílias.

O que o governo federal tem feito

A reação de Brasília combinou medidas diplomáticas e avaliação de respostas econômicas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou uma postura de pressão negociada: pediu ao governo americano a retirada ou flexibilização de parte das sobretaxas e determinou que a equipe ministerial prepare alternativas, inclusive um cardápio de possíveis medidas de resposta caso as negociações não avancem. Em conversas públicas e privadas, o governo tentou abrir canais de diálogo para tratar dos aspectos técnicos e políticos do conflito.

Na prática, as conversas ganharam ritmo em outubro, quando o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira e o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, se reuniram por uma hora (quinta-feira -16/10), na Casa Branca, em Washington, fizeram uma primeira reunião, antecipando o encontro direto entre os chefes de Estado — sinal de que a crise poderia ser negociada a contento para ambas as partes.  A pauta inclui apelos para a revisão de tarifas específicas e tentativas de isentar produtos sensíveis, além de negociações para preservar canais de abastecimento e evitar contágios maiores à economia global.

Prefeituras no front: três desafios imediatos

Para prefeitos e gestores municipais, o tarifaço impõe uma tríade de problemas práticos e interligados:

Choque sobre o emprego local: municípios com base industrial ou agroexportadora podem enfrentar demissões e cortes de horas, pressionando os programas sociais locais e ampliando demandas por assistência emergencial. Estudos a nível nacional já sinalizam riscos elevados de perda de postos de trabalho em setores exportadores.

Redução de arrecadação e repasses: menor atividade econômica e quedas em tributos relacionados a circulação e renda podem reduzir repasses a níveis municipais — afetando investimentos e serviços básicos, sobretudo, em cidades com menor capacidade de endividamento.

Risco para a cadeia de fornecedores e microempreendedores: fornecedores locais, comércio e serviços que atendem indústrias exportadoras sentem o efeito em cadeia, ampliando a vulnerabilidade de pequenas empresas e dos trabalhadores informais.

Medidas que prefeituras podem adotar

Diante do choque externo, gestores têm se mobilizado em quatro frentes práticas:

Mapeamento rápido do impacto local: identificação de empresas com exposição ao mercado americano, estimativa de empregos em risco e priorização de segmentos críticos.

Apoio emergencial e requalificação: programas de manutenção de emprego (lay-off local coordenado, cursos rápidos de requalificação e estímulos temporários ao consumo local).

Busca de compradores alternativos: apoio técnico e logístico a exportadores para diversificar destinos — tarefa que costuma envolver, além da prefeitura, agências estaduais e a ApexBrasil.

Articulação federativa: pedidos por linhas de crédito especializadas, extensão de prazos fiscais e inclusão de municípios em programas de proteção ao emprego.

Essas medidas, porém, esbarram na capacidade limitada de muitos cofres municipais e na necessidade de coordenação com programas federais e bancos de fomento.

O que esperar a seguir

Enquanto Brasília trava conversas de alto nível com Washington, prefeitos devem equilibrar respostas imediatas de proteção social com estratégias de médio prazo para diversificação econômica. A principal lição para as administrações locais é pragmática — e dura: eventos de política comercial em escala global têm efeitos tangíveis nas ruas das cidades. Preparação, redes de cooperação regional e capacidade de ajustar políticas públicas locais podem fazer a diferença entre um choque temporário e uma crise prolongada de emprego e arrecadação.

A reportagem de Prefeitos&Gestões entrou em contato com diversas prefeituras. Porém, apenas três se manifestaram sobre o tema.

BITURUNA

reage ao tarifaço: prefeito Rodrigo Rossoni lidera mobilização nacional em defesa do setor madeireiro

Credito foto JoannaRB20

Tarifaço atinge em cheio o setor madeireiro, base da economia local de Bituruna (PR)- Foto divulgação

Com metade de sua produção voltada à exportação para os Estados Unidos, Bituruna enfrenta os efeitos diretos do tarifaço de 50% imposto pelo governo americano. O município de Bituruna, no sul do Paraná, está no centro de uma crise econômica que começa a afetar diversas regiões exportadoras do Brasil. O chamado tarifaço — o aumento de até 50% nas tarifas de importação de produtos brasileiros pelos Estados Unidos — atinge em cheio o setor madeireiro, base da economia local e responsável pela geração de milhares de empregos diretos e indiretos.

Para o prefeito Rodrigo Rossoni, a medida norte-americana representa uma ameaça concreta à estabilidade econômica e social do município. O tarifaço dos Estados Unidos, de 50%, é uma medida dura de política externa que atinge em cheio a nossa cidade. Ele reduz a competitividade das nossas empresas, ameaça empregos e coloca em risco a estabilidade social de Bituruna, da região e do Brasil”, afirmou.

De acordo com o prefeito, cerca de 50% da produção madeireira local é exportada para o mercado norte-americano, consolidando uma parceria comercial construída ao longo de décadas. “Quando um parceiro estratégico como os EUA impõe barreiras dessa magnitude, toda a nossa estrutura econômica local é afetada, colocando em risco empresas, empregos e a estabilidade da nossa comunidade”, alertou Rossoni.

“A madeira é a base da nossa economia, responsável por boa parte de toda a movimentação financeira de Bituruna”

Prefeito Rodrigo Rossoni-Bituruna (PR) – Foto cedida pela prefeitura

A preocupação não é apenas empresarial, mas também social. Segundo ele, as empresas já sinalizam possíveis cortes de funcionários diante da queda nas exportações. “Uma empresa do nosso município que emprega cerca de mil pessoas já sinalizou a possibilidade de demitir até metade do seu quadro se as exportações caírem. Isso mostra o tamanho do drama que pode atingir centenas de famílias em Bituruna. Além disso, a queda na produção reduz a arrecadação de ICMS, limitando a capacidade do poder público de dar apoio social no momento em que a comunidade mais precisaria”, relatou.

Ações em Brasília e propostas ao Governo Federal

Ciente da gravidade da situação, o prefeito esteve em Brasília em busca de soluções emergenciais. “Estive em reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin, onde entreguei um ofício solicitando providências do Governo Federal para amenizar os efeitos do tarifaço de 50% imposto pelos EUA sobre a madeira. Propusemos a redução a zero de tributos federais, como PIS, COFINS, CSLL, IRPJ e a cota patronal do INSS, além da liberação imediata de créditos já protocolados pelas empresas”, afirmou.

Bituruna foi o primeiro município brasileiro a apresentar uma proposta formal de alívio tributário e crédito direcionado ao setor madeireiro. Segundo Rossoni, o encontro com o vice-presidente foi positivo e trouxe esperança. “Fomos o primeiro município a apresentar uma alternativa nesse formato para manter a competitividade, preservar empregos e evitar um impacto social ainda maior. O vice-presidente sinalizou positivamente e saímos confiantes de que o Governo Federal dará atenção à pauta. Essa é uma prioridade absoluta para Bituruna e para todo o setor madeireiro regional, porque o que está em jogo não são apenas números, mas a vida de milhares de trabalhadores e famílias”, enfatizou.

Desafios e medidas locais

Embora a prefeitura mantenha programas de incentivo e suporte ao setor produtivo, o prefeito reconhece que a crise ultrapassa o alcance municipal. “O município já possui programas específicos, previstos em lei, que oferecem suporte dentro das nossas possibilidades. No entanto, uma crise dessa dimensão vai muito além do alcance municipal. É preciso a atuação firme dos governos estadual e federal, com medidas estruturais e diplomáticas, para que possamos proteger empregos e garantir a sobrevivência das nossas indústrias”, destacou.

Rossoni também defende a articulação conjunta entre os três níveis de governo. “Bituruna é pequena, mas estamos fazendo a nossa parte. É fundamental que governos estadual e federal atuem em conjunto para defender regiões que dependem fortemente da exportação de madeira. O Governo Federal, em especial, precisa usar a diplomacia de Estado: sentar com o presidente dos Estados Unidos e buscar soluções políticas e econômicas viáveis. Penso que não é momento de ideologia, e sim de pragmatismo. O que está em jogo são empregos, arrecadação e a estabilidade social de milhares de famílias brasileiras”, declarou.

O caminho da diversificação e o futuro do setor

Mesmo diante da crise, Bituruna segue investindo na diversificação de sua economia, com foco na sustentabilidade e na agregação de valor. “Bituruna vem diversificando sua economia nas últimas décadas, mas historicamente a base sempre foi a madeira. No passado, trabalhávamos com a madeira nativa; hoje, o eixo está nos reflorestamentos de pinus, que sustentam laminadoras e fábricas de compensado. Diversificar é importante, e o poder público já atua nisso com projetos no setor agrícola e em outras áreas, mas não é algo que se resolve em poucos anos”, explicou o prefeito.

Ele, no entanto, faz um alerta sobre a urgência do problema. “Nosso problema é imediato. Se o tarifaço se mantiver, haverá demissões e, por um tempo, o seguro-desemprego dará algum amparo. Mas e depois? Se a situação não se normalizar, teremos um impacto social profundo, que exige respostas rápidas e eficazes do poder público, principalmente na esfera federal”, afirmou.

Em tom de esperança e firmeza, o prefeito Rodrigo Rossoni encerra com um apelo à união. “Aos empresários e trabalhadores do setor, minha mensagem é de união e firmeza. Sei das dificuldades e da insegurança que esse momento traz, mas quero reafirmar que não estamos de braços cruzados: estivemos em Brasília, cobrando soluções, defendendo medidas concretas para aliviar os custos e manter nossa competitividade. Bituruna já superou muitos desafios ao longo da sua história e não será diferente agora. Com trabalho, diálogo e articulação, vamos proteger os empregos, preservar a dignidade das famílias e garantir que a madeira continue sendo sinônimo de desenvolvimento para o nosso município.”

JUAZEIRO

enfrenta o tarifaço com união e estratégia: prefeito Andrei Gonçalves mobiliza esforços para proteger a fruticultura do Vale do São Francisco

 

Prefeito Andrei Gonçalves-Juazeiro (BA)- Foto cedida pela prefeitura

Líder nacional na exportação de mangas e uvas, Juazeiro sente os impactos diretos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos. A cidade de Juazeiro, no norte da Bahia, vive um momento de mobilização e resistência. O tarifaço imposto pelos Estados Unidos, com tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, ameaça um dos setores mais estratégicos da economia nacional: a fruticultura irrigada do Vale do São Francisco. Reconhecida como a maior exportadora de mangas do Brasil e uma das maiores de uvas, Juazeiro pode sofrer quedas significativas nas exportações, com reflexos diretos sobre o emprego e a renda da população.

Segundo o prefeito Andrei Gonçalves, o alerta é real e urgente. “A fruticultura irrigada é o coração da nossa economia. Juazeiro é hoje o maior exportador de manga do Brasil e um dos maiores de uva, liderando em volume e valor agregado. Esse setor gera milhares de empregos diretos e indiretos e garante renda a famílias de toda a região. O tarifaço imposto pelos Estados Unidos ameaça esse ecossistema produtivo, com risco de queda de até 70% nas exportações, o que pode trazer fortes repercussões sociais e econômicas”, afirmou.

O prefeito reforça que o município está em contato constante com o Governo Federal e com a Frente Nacional de Prefeitos. “Estamos mobilizados, em conjunto com o Governo Federal e a Frente Nacional de Prefeitos, para que medidas emergenciais sejam implementadas e possamos proteger a produção, o emprego e a renda da nossa população”, destacou.

Tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros ameaça um dos setores mais estratégicos da economia nacional: a fruticultura irrigada do Vale do São Francisco, Uva em Juazeiro (BA) – Foto divulgação

Preocupação e mobilização do setor produtivo

A reação em Juazeiro não se limita à preocupação. De acordo com Gonçalves, os produtores locais têm se organizado e buscado apoio institucional para enfrentar a crise. “Os produtores estão preocupados porque os EUA são um dos principais destinos das nossas frutas. Mas é importante destacar que essa preocupação vem acompanhada de mobilização. Eles estão em contato direto com a prefeitura e com os governos estadual e federal”, explicou.

O prefeito ressaltou o papel do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, na articulação regional. “O governador promoveu, em Juazeiro, um encontro que reuniu o setor produtivo e todo secretariado do estado, construindo alternativas. Já percebemos sinais de que alguns impactos estão sendo atenuados: parte da produção tem sido absorvida pelo mercado interno e novos mercados internacionais começaram a se abrir, como resultado da política de diversificação conduzida pelo Brasil”, disse. Apesar dos desafios, Gonçalves vê avanços. “Isso não resolve totalmente o problema, mas já ajuda a reduzir as perdas e demonstra a força e a resiliência do setor produtivo do Vale”, acrescentou.

Diversificação de mercados e apoio institucional

Para minimizar os danos e reduzir a dependência do mercado norte-americano, Juazeiro vem adotando uma estratégia integrada com o Governo Federal e o Governo da Bahia. “A prefeitura tem dado suporte institucional nesse diálogo com os demais entes às cooperativas, associações e empresas exportadoras, incentivando a busca por alternativas comerciais em países da Europa, Ásia e Oriente Médio. Além disso, estamos fortalecendo o diálogo com entidades de pesquisa e inovação, para ampliar a competitividade e garantir que nossos produtores estejam preparados para atender às exigências de diferentes mercados”, detalhou o prefeito.

O plano envolve ainda a articulação com cooperativas e associações locais para enfrentar o impacto econômico do tarifaço, desde apoio logístico até a defesa de linhas de crédito emergenciais. A proposta que apresentei em Brasília, de criação de uma lei emergencial para subsidiar parte dos custos adicionais gerados pelo tarifaço, nasceu justamente dessas conversas com os produtores locais”, revelou.

“Estamos ampliando o diálogo, por meio das nossas secretarias, com as cooperativas e associações para identificar as necessidades mais urgentes

Prefeito Andrei Gonçalves, de Juazeiro, no norte da Bahia

O prefeito enfatiza que a atenção aos agricultores familiares é prioridade. “A prefeitura está articulando para que os agricultores familiares também tenham acesso aos programas de apoio do Governo Federal, garantindo que ninguém fique sem apoio nesse momento de dificuldade”, afirmou.

Esperança e confiança no futuro

Mesmo diante da incerteza, o prefeito Andrei Gonçalves mantém um discurso de otimismo e união. “A mensagem é de esperança e união. Sei da preocupação de cada trabalhador, de cada agricultor que depende da fruticultura irrigada. Quero reafirmar que vocês não estão sozinhos. A prefeitura está mobilizada, o Governo Lula já anunciou medidas importantes, o governador Jerônimo tem se colocado como parceiro desde a primeira hora, e novos caminhos estão sendo abertos para que nossa produção continue chegando ao mundo”, disse.

Gonçalves reforçou a resiliência que marca o perfil econômico de Juazeiro. “Este é um momento de resiliência, como também de confiança. Juazeiro sempre foi protagonista no agronegócio brasileiro, especialmente na produção de frutas, e continuará sendo. Vamos enfrentar esse desafio juntos, protegendo empregos, garantindo renda e mantendo a força da nossa economia”, concluiu.

BRAGANÇA PAULISTA

reage ao tarifaço com estratégia e união: prefeito Edmir Chedid anuncia medidas para proteger empresas e empregos

Crédito foto -Jamileth Piñaloza

Polo industrial e tecnológico em Bragança Paulista (SP)  tem uma base expressiva de exportações diretamente afetadas pelo chamado tarifaço- Foto divulgação

O prefeito Edmir Chedid articula ações com governos e entidades, aposta na inovação e reforça a confiança no potencial produtivo da cidade: A imposição de tarifas de 50% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros já causa apreensão em várias regiões do país — e em Bragança Paulista, o alerta é concreto. O município, reconhecido por seu polo industrial e tecnológico, tem uma base expressiva de exportações diretamente afetadas pelo chamado tarifaço.

De acordo com o prefeito Edmir Chedid, o impacto é real e mensurável. “Com base em levantamentos recentes que consideram os 30 principais produtos exportados pelo Brasil aos EUA, temos dados muito concretos sobre Bragança Paulista. O tarifaço de 50% impacta diretamente produtos que já são exportados do nosso município para os Estados Unidos, o que eleva consideravelmente nossa preocupação”, afirma.

Entre os segmentos mais atingidos, o prefeito cita as máquinas, aparelhos e materiais elétricos, com exportações de US$ 15,97 milhões — o principal elo bragantino com o mercado norte-americano. “Aqui se encaixam empresas de alta tecnologia, que projetam e fabricam componentes eletrônicos essenciais que integram cadeias produtivas globais, de veículos elétricos a sistemas de automação. A taxação direta desses itens é um desafio imediato”, explica.

Além desse setor, outros também sofrem efeitos diretos: produtos químicos orgânicos (US$ 1,58 milhão), açúcares e produtos de confeitaria (US$ 1,44 milhão), borracha e plásticos, entre outros. “O impacto não é meramente indireto, mas muito presente em nosso polo industrial. Há também o risco de uma desaceleração global causada por uma guerra comercial mais ampla, que pode reduzir a demanda por outros produtos e serviços de Bragança”, alerta o prefeito.

Impacto no emprego e no mercado local

Chedid reconhece que a ameaça não é apenas econômica, mas também social, com possíveis efeitos sobre os postos de trabalho. “O documento que mapeia a tarifação dos EUA demonstra que Bragança Paulista tem exportações diretas de produtos impactados pela taxação de 50%. Isso significa que o impacto na geração de empregos locais não é apenas uma projeção indireta, mas uma ameaça concreta”, ressalta.

Ele detalha que o setor de máquinas e materiais elétricos é o mais vulnerável. “As empresas bragantinas que produzem esses itens enfrentam agora uma barreira tarifária de 50%. Isso torna seus produtos muito mais caros e menos competitivos no mercado americano. A perda de competitividade e a queda nas vendas podem levar à redução da produção, o que se traduz em cancelamento de horas extras, paralisação de contratações e, em cenários mais adversos, demissões”, afirma.

Prefeito Edmir chedid Bragança Paulista (SP) – Foto cedida pela prefeitura

 “Nossa economia ainda não teve impactos significativos, sendo que os postos de trabalho foram mantidos até o momento”

Prefeito Edmir Chedid, de Bragança Paulista (SP)

Oportunidades e diversificação produtiva

Mesmo diante do cenário adverso, Chedid enxerga oportunidades. “Cerca de 700 produtos brasileiros ficaram de fora da taxação, e é aí que mora uma grande chance para Bragança Paulista. Estamos incentivando nossos empresários a olharem para essa lista. Produtos da indústria de transformação, bens de consumo com maior valor agregado e até mesmo serviços podem encontrar um mercado mais aberto”, explica.

A prefeitura também tem se antecipado. “Assim que a medida foi anunciada, iniciamos um mapeamento junto às principais empresas exportadoras e associações setoriais. Não estamos esperando os efeitos chegarem; estamos nos antecipando. Esse diagnóstico inicial nos permite entender quem são os mais vulneráveis e onde precisamos concentrar nossos esforços”, afirma o prefeito.

Plano de ação: informação, crédito e desburocratização

Para enfrentar o cenário de incertezas, a administração municipal desenvolveu um plano multifacetado. “Estamos promovendo capacitações para pequenos e médios empresários, com palestras e cursos custeados pela prefeitura, para aumentar eficiência e produtividade. Também estamos simplificando processos, conectando nossos empresários às linhas de crédito do Plano Brasil Soberano e incentivando o consumo de produtos locais”, detalha.

O diálogo com o setor produtivo é constante. “Temos um canal aberto com as empresas e as entidades representativas. Já realizamos reuniões para apresentar nosso diagnóstico e ouvir as preocupações do setor. Acreditamos que as melhores soluções são construídas em conjunto. Estamos formando uma frente unida para defender a economia de Bragança Paulista”, afirma.

Monitoramento fiscal e articulação política

Outro ponto de atenção é o possível impacto sobre a arrecadação municipal. Chedid explica: “Uma desaceleração na atividade econômica pode levar à queda na arrecadação do ISS. Nossa Secretaria de Finanças está monitorando as projeções com muita atenção. Temos responsabilidade fiscal e uma margem de segurança, mas faremos ajustes, se necessário, para garantir que nenhum serviço essencial à população seja afetado”.

A articulação com os demais níveis de governo também é prioridade. “Tenho mantido contato com o Governo Federal, deputados e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo. Estamos pleiteando que municípios com vocação exportadora, como o nosso, tenham prioridade em programas de compensação e incentivo”, enfatiza.

Inovação e futuro sustentável

O prefeito lembra que Bragança Paulista já vinha investindo em inovação e sustentabilidade, o que agora se mostra ainda mais estratégico. “Nossos investimentos no Programa Bragança ESG são a melhor apólice de seguro contra crises externas. A tarifa mostra que não podemos depender de poucos produtos ou de poucos mercados. Vamos acelerar esses projetos, incentivando uma economia baseada no conhecimento e na tecnologia, menos suscetível a guerras comerciais”, explica.

Mensagem de confiança

Chedid encerra com uma mensagem de otimismo e engajamento coletivo. “Minha mensagem é de confiança e trabalho. Confiança na resiliência e na capacidade de inovação do nosso povo. E muito trabalho por parte da prefeitura. Quero que cada empresário e cada trabalhador saiba que a prefeitura não é um obstáculo, mas um parceiro estratégico. Estamos atentos, atuantes e ao lado de vocês para superar este desafio. Juntos, vamos transformar essa dificuldade em uma oportunidade para tornar nossa economia ainda mais forte e diversificada”, conclui.

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