Relatório da OMM aponta que 2015–2025 foi a década mais quente da história e que desequilíbrio energético recorde intensifica eventos extremos. No Brasil, cenário inclui seca na Amazônia e chuvas intensas no Sul.
Por Redação g1
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Cidade de Itacoatiara, no interior do Amazonas, afetada pela seca — Foto: Liam Cavalcante, da Rede Amazônica
A humanidade enfrentou os últimos dez anos mais quentes da história, é o que aponta um relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), divulgado pelas Nações Unidas nesta segunda-feira (23).
Todo esse calor vem fazendo com que o equilíbrio que ainda mantem o clima estável fique completamente desajustado.
Isso acontece porque, com tamanho calor, o planeta está acumulando mais energia do que consegue liberar.
Esse excesso já aparece na forma de eventos extremos, como as chuvas históricas que atingiram o Rio Grande do Sul.
A sequência de anos em excesso de calor indica que o planeta pode estar enfrentando um novo normal — cada vez mais quente.
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Dados mostram calor acumulado nos oceanos — Foto: Arte/g1
O que está acontecendo com o planeta?
Segundo o relatório, o período de 2015 a 2025 foi o mais quente já registrado e reúne, sozinho, os dez anos mais quentes da história.
Em 2025, a temperatura média global ficou cerca de 1,43 °C acima dos níveis pré-industriais, colocando o ano entre o segundo e o terceiro mais quente da série. Um número pouco menor que o recorde de 2024, quando a Terra passou do 1,5°C.
“A humanidade acaba de passar pelos onze anos mais quentes já registrados. Quando a história se repete onze vezes, não é mais uma coincidência. É um chamado à ação”, disse secretário-geral da ONU, António Guterres.
Mas o dado que mais preocupa os cientistas vai além da temperatura. Pela primeira vez, o relatório coloca no centro da análise o chamado desequilíbrio energético da Terra — a diferença entre a energia que entra no sistema climático, vinda do Sol, e a que é devolvida ao espaço. Esse desequilíbrio atingiu, em 2025, o maior nível desde o início das medições, em 1960.
Na prática, isso significa que o planeta está retendo mais calor. E esse excesso de energia funciona como combustível para o clima.
É ele que intensifica fenômenos naturais e ajuda a explicar por que eventos extremos têm se tornado mais frequentes e mais intensos. Com mais energia disponível na atmosfera e nos oceanos, sistemas de chuva ganham força, duram mais tempo e provocam volumes acima do esperado.
No Brasil, esse mecanismo esteve por trás de episódios recentes, como as chuvas históricas no Rio Grande do Sul, em 2024. Pelo mundo, é essa energia que causou a chuva histórica da Espanha e a temporada de tornados cada vez mais intensa nos Estados Unidos.
A maior parte desse calor extra não fica no ar. Cerca de 91% é absorvida pelos oceanos, que vêm acumulando energia em ritmo acelerado. Nas últimas duas décadas, os mares passaram a reter, a cada ano, o a cerca de 18 vezes todo o consumo anual de energia da humanidade.
Ao mesmo teequivalentempo, os oceanos também absorvem dióxido de carbono da atmosfera, o que contribui para mudanças químicas na água e agrava impactos ambientais. O relatório mostra que o calor armazenado nos mares atingiu níveis recordes e que a taxa de aquecimento mais do que dobrou em comparação ao período entre 1960 e 2005.
Os sinais dessa energia acumulada também aparecem nas regiões polares. A extensão do gelo marinho no Ártico segue em níveis historicamente baixos, enquanto, na Antártida, a cobertura de gelo foi a terceira menor já registrada.
Mesmo em um cenário de transição para La Niña — fenômeno que costuma ter efeito temporário de resfriamento —, o aquecimento global se manteve elevado em 2025. No Brasil, isso se traduziu em temperaturas acima da média na maior parte do território, que refletiu em secas intensas.
Fonte: G1

