Aedes do Bem é ativado com água limpa
Municípios que integram tecnologias biológicas às ações tradicionais de controle vetorial têm ampliado os resultados no enfrentamento do Aedes aegypti. O cenário de 2026 reforça a importância dessa combinação.
O controle do Aedes aegypti passou por uma transformação importante nos últimos anos. Se antes o combate ao vetor dependia quase exclusivamente de ações tradicionais — eliminação de criadouros, visitas domiciliares, campanhas de conscientização —, hoje gestores públicos contam com um conjunto mais amplo de ferramentas para enfrentar o problema. E os dados mais recentes mostram que combinar essas abordagens não é apenas uma tendência: é uma resposta a limitações concretas que o contexto atual tem tornado ainda mais evidentes.

Aedes do Bem posicionado em árvores e postes em bairros de Indaiatuba em 2022
A resistência do Aedes aegypti aos adulticidas de uso corrente está confirmada em todas as regiões do país pela Nota Informativa nº 29/2024 do Ministério da Saúde, que passou a recomendar o uso rotativo de diferentes classes de inseticidas em áreas distintas — estratégia chamada de mosaico. Em paralelo, o gasto federal com inseticidas para controle do vetor saltou de R$ 8,9 milhões em 2003 para R$ 138,4 milhões em 2023, segundo estudo apresentado no ECPAVS 2025 — um aumento que reflete duas décadas de escalada no enfrentamento do mosquito.
As ações de campo também encontram limitações operacionais reconhecidas pelo próprio Ministério da Saúde: uma parcela dos imóveis não é alcançada durante as visitas de rotina — seja pela ausência dos moradores, seja pelas características do território. Em Ribeirão Preto (SP), a Secretaria Municipal de Saúde registrou, no início de 2026, que em alguns bairros até 40% das casas estavam fechadas ou com entrada recusada durante as visitas de controle de endemias. Em Fortaleza, levantamentos de índice de infestação predial realizados ao longo de 2025 documentam percentuais semelhantes de imóveis com acesso impedido. Criadouros nesses domicílios seguem ativos, independentemente da frequência das visitas.
O cenário de 2026 acrescenta ainda um elemento de atenção. A Nota Informativa nº 12/2025 do Ministério da Saúde, publicada em dezembro de 2025, registrou aumento de predominância do sorotipo DENV-3 — com circulação relevante no Nordeste e crescimento identificado em São Paulo e outros estados do Sudeste. Por não circular de forma significativa no Brasil desde 2004–2008, o sorotipo encontra uma parcela da população sem imunidade prévia, o que motivou alertas tanto do MS quanto da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em fevereiro de 2025, para o hemisfério. É mais um argumento para que o controle vetorial seja feito com o maior número possível de ferramentas atuando em conjunto.

Agente de Saúde informa moradora sobre o tratamento com Aedes do Bem em Congonhas-MG
O Aedes do Bem como parte do portfólio municipal de controle vetorial
O Aedes do Bem foi desenvolvido pela Flyttr (antiga Oxitec) e pode atuar exatamente nessa lógica de complementaridade. A solução utiliza mosquitos machos — que não picam e não transmitem doenças — portadores de uma característica autolimitante: ao acasalarem com fêmeas do Aedes aegypti presentes no ambiente, produzem apenas descendentes machos, reduzindo progressivamente a população das fêmeas transmissoras ao longo das gerações. Por ser liberada no ambiente por meio de caixas ativadas com água, a tecnologia alcança criadouros críticos e imóveis que as visitas domiciliares não conseguem tratar — e opera com a mesma eficácia independentemente da resistência que o mosquito tenha acumulado a inseticidas. A CTNBio, autoridade brasileira de biossegurança, classifica a solução como larvicida biológico fêmea-específico, com 100% de eficácia e segurança comprovada para pessoas, animais e meio ambiente.
Em Indaiatuba (SP), a integração da tecnologia ao programa municipal de controle vetorial em 2018 resultou em supressão de até 96% da população do mosquito e queda de 84% nos casos confirmados de dengue nas áreas tratadas, conforme estudo publicado na Frontiers in Bioengineering and Biotechnology e dados da Secretaria Municipal de Saúde. O programa de tratamento foi ampliado para outros bairros da cidade até 2022. E em novembro de 2025, o município retomou a tecnologia, antes do início do novo ciclo sazonal, mantendo-a como parte do calendário sanitário.
Presente em centenas de cidades brasileiras desde 2014, o Aedes do Bem pode ser combinado com outras tecnologias inovadoras disponíveis para gestores municipais — como o Método Wolbachia e as Estações Disseminadoras de Larvicidas —, formando um portfólio integrado e robusto em que cada ferramenta reforça as demais.

Funcionário ativa caixa de Aedes do Bem em bairro de Indaiatuba em 2022
Para gestores públicos, o avanço das soluções disponíveis abre espaço para uma mudança de perspectiva. Em vez de enfrentar a dengue apenas quando os casos começam a subir, cidades que combinam diferentes ferramentas ao longo do ano constroem uma capacidade de resposta mais sólida — e chegam ao pico sazonal com o vetor sob maior controle.
Para saber mais sobre o Aedes do Bem, acesse aedesdobem.com.br

