Municípios

Dengue não desaparece. Por que a gestão pública ainda trata como emergência o que deveria ser rotina?

Aedes do Bem PRO é instalado para controle do mosquito

Enquanto municípios alternam entre crise e esquecimento, evidências científicas e experiências municipais apontam para um modelo diferente — e mais eficiente — de enfrentar o Aedes aegypti.

Todo ano, o roteiro se repete. Com a chegada das chuvas, os casos sobem, as secretarias de saúde entram em alerta, os agentes são mobilizados em mutirões, e a dengue domina a pauta política local. Depois, com o inverno, o volume cai, o assunto some das reuniões e os recursos se redistribuem. Até o próximo verão — quando o ciclo recomeça, muitas vezes mais grave do que o anterior.

Esse modelo de gestão reativa tem um custo alto — e mensurável. Não apenas em vidas e internações, mas em orçamento público. Um estudo publicado na revista científica PLoS Neglected Tropical Diseases estima que, em anos de maior incidência, o impacto econômico da dengue no Brasil pode ultrapassar US$ 1 bilhão — considerando atendimentos, hospitalizações e perda de produtividade.

Para o gestor municipal, isso se traduz em uma equação conhecida: quanto maior a circulação do vetor, maior o risco de transmissão em larga escala e maior a pressão sobre a rede de saúde — com mais gastos emergenciais e menos recursos disponíveis para o que foi planejado.

Da emergência ao planejamento: uma mudança de lógica

A Organização Mundial da Saúde não deixa margem para interpretações: o plano Global Vector Control Response 2017–2030 estabelece que programas sustentáveis de controle vetorial são essenciais para reduzir o risco de epidemias e fortalecer sistemas de saúde. Não como resposta emergencial. Como política permanente.

Para gestores, a mudança de lógica é mais simples do que parece: controlar continuamente o mosquito tende a ser mais eficiente do que mobilizar estruturas emergenciais repetidas vezes. A questão não é se o município vai enfrentar a dengue. É se vai fazê-lo no modo pânico ou no modo planejamento.

As ferramentas tradicionais — visitas domiciliares, campanhas educativas, eliminação de criadouros — continuam sendo pilares insubstituíveis. Mas enfrentam limites operacionais reais: imóveis fechados, resistência crescente a inseticidas, alta capacidade de adaptação do Aedes aegypti ao ambiente urbano. Diante desse cenário, novas tecnologias passaram a integrar o portfólio de estratégias disponíveis aos municípios.

Tecnologia com evidência: o caso de Indaiatuba

Entre as soluções que ganharam espaço na gestão pública está o Aedes do Bem, tecnologia biológica de supressão populacional do Aedes aegypti. O mecanismo é preciso: mosquitos machos — que não picam nem transmitem doenças — portadores de uma característica autolimitante são liberados no ambiente. Ao acasalarem com as fêmeas locais, reduzem progressivamente a população responsável pela transmissão das arboviroses. A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) classificou a tecnologia como um larvicida biológico fêmea-específico, com efeito multigeracional e segurança comprovada para pessoas, animais e meio ambiente.

Em Indaiatuba (SP), a aplicação da tecnologia entre 2018 e 2022 resultou na redução de até 96% da população do mosquito nas áreas tratadas. Os resultados, publicados na revista Frontiers in Bioengineering and Biotechnology, foram acompanhados por uma queda de 84% nos casos confirmados de dengue nas regiões atendidas. Em novembro de 2025, antes do início de um novo ciclo sazonal, o município retomou a aplicação — não como resposta a uma crise, mas como parte do calendário sanitário.

É exatamente esse deslocamento de tempo que interessa à gestão pública: agir antes que a epidemia se instale, e não correr atrás depois que ela já está em curso.

O que muda quando a dengue vira política pública permanente

Incorporar o controle vetorial à rotina da gestão municipal não é apenas uma questão sanitária. É também uma decisão de eficiência orçamentária e de governança. Gestores que estruturam programas contínuos de controle do Aedes aegypti ganham previsibilidade no planejamento, reduzem os custos emergenciais e diminuem o risco de crises que sobrecarregam UPAs, UBSs e hospitais públicos — justamente quando a rede já está pressionada por outros fatores.

A lição que começa a emergir de experiências como a de Indaiatuba é direta: não existe boa gestão de saúde pública que trate uma ameaça cíclica e previsível como se fosse uma surpresa. A dengue volta todo ano. A pergunta que cada gestor municipal precisa responder é se sua cidade vai estar pronta — ou vai improvisar mais uma vez.

Para saber mais sobre o Aedes do Bem, acesse aedesdobem.com.br.

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