Foto Ravena Rosa- Agência Brasil
Levantamento a partir da Plataforma Natureza ON aponta 878 hectares do município com probabilidade de deslizamentos e mais de 274 hectares sujeitos a inundações, em um cenário de apenas 26% de cobertura florestal
Desenvolvida pela Fundação Grupo Boticário em parceria com o MapBiomas e tecnologias Google Cloud, a ferramenta gratuita também identifica riscos ao abastecimento de água e indica soluções baseadas na natureza para adaptação climática da cidade
Entre as estratégias recomendadas estão a restauração de encostas e mananciais, criação de lagoas pluviais, bacias de retenção, parques lineares e áreas verdes multifuncionais
O município do Rio de Janeiro possui cerca de 878 hectares com probabilidade de ocorrência de deslizamentos de terra, risco que aumenta consideravelmente durante o período de chuvas de verão. A área vulnerável é equivalente a sete vezes o Aterro do Flamengo e está classificada como de risco muito alto (51%), alto (38%) e médio (11%). O levantamento foi realizado por meio da Plataforma Natureza ON, serviço gratuito lançado recentemente pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, em parceria com o MapBiomas e tecnologias Google Cloud.
A plataforma combina mapas, dados públicos e estatísticas oficiais para identificar riscos associados a eventos climáticos extremos e, além de apresentar as áreas vulneráveis, indica alternativas sustentáveis para reduzir impactos, utilizando a própria natureza como solução.
A ferramenta permite consultas por bacia hidrográfica, município e setor censitário (menor unidade territorial usada pelo IBGE para a coleta e divulgação de dados do Censo e outras pesquisas), utilizando a localização do usuário como ponto de partida para a navegação. O objetivo é apoiar gestores públicos e a sociedade civil na identificação de soluções para mitigar riscos e adaptar as cidades a um novo cenário climático, marcado pela intensificação de chuvas extremas e, por outro lado, pelo aumento de períodos prolongados de estiagem.
“As obras de engenharia convencional ainda são vistas como resposta quase exclusiva para os problemas urbanos, mas a adaptação das cidades às mudanças climáticas exige um novo olhar para a natureza”, afirma a bióloga Juliana Baladelli Ribeiro, gerente de projetos da Fundação Grupo Boticário. “O desenvolvimento urbano no Rio de Janeiro pode abrir mais espaço para a conservação e restauração dos ecossistemas naturais, que trazem muitas vantagens para a população. A adaptação às mudanças climáticas impõe novas formas de planejar a cidade, considerando sempre a natureza como parte da solução”, completa.

Para tornar a capital fluminense mais resiliente aos possíveis deslizamentos, a restauração de encostas é a Solução Baseada na Natureza (SBN) mais indicada. “A vegetação nativa, associada às chamadas técnicas geotécnicas, que estudam formas seguras de intervir no solo e nas rochas, pode contribuir para a estabilização do terreno, reduzir deslizamentos e regular o fluxo das águas da chuva”, explica Juliana.

Inundações
Na Plataforma Natureza ON também é possível visualizar as áreas da cidade com maior probabilidade de ocorrerem inundações, alagamentos e enxurradas. Mais de 274 hectares do município estão em áreas com risco associado às consequências imediatas das chuvas. A área suscetível aos efeitos dos temporais equivale a 275 campos de futebol. Para tornar a cidade mais resiliente a esses riscos, são indicadas soluções como a implementação de lagoas pluviais ou bacias de retenção. “São estruturas capazes de receber, armazenar e liberar lentamente a água da chuva, reduzindo picos de vazão, alagamentos e ainda melhorando a qualidade da água”, explica Juliana.
Os mapas disponíveis na plataforma são gerados a partir da combinação de dados oficiais sobre relevo, rios e outras variáveis ambientais, associados a informações sobre a ocupação urbana, permitindo indicar as áreas mais suscetíveis a inundações.
Segurança hídrica
A Natureza ON também permite consultar os riscos relacionados ao abastecimento de água no município. Em cerca de 98% da cidade, é grande a insegurança hídrica, com indicadores de baixa segurança hídrica em 66% do município e de segurança mínima em 32%, de acordo com dados da Agência Nacional de Águas (ANA).
Nesse caso, a principal medida indicada é a restauração no entorno dos mananciais que abastecem a cidade. Também aparecem como soluções a implantação de corredores ecológicos, que contribuem para o aumento da biodiversidade; parques lineares ao longo de rios e lagoas; e parques e praças multifuncionais, que ajudam a melhorar a qualidade da água.

Cobertura natural
O sistema também permite consultar a cobertura vegetal e urbana do município. Mais de 62% da área da capital é urbanizada, enquanto apenas 26% contam com cobertura florestal. Em menor proporção, o município também possui restinga arbórea (3,53%), campos alagados e áreas pantanosas (2,5%), manguezais (2,48%), além de rios e lagos (2,3%). Como SBN para minimizar os impactos da alta densidade de construções e do solo impermeável, são indicados especialmente parques lineares e corredores ecológicos.
“A combinação dessas soluções pode reduzir significativamente os riscos climáticos para a população e ainda melhorar os espaços públicos, criando áreas de lazer e promovendo mais bem-estar e qualidade de vida”, destaca Juliana.

Sobre a plataforma Natureza ON
A Natureza ON é uma plataforma digital gratuita que reúne mapas, dados públicos e análises técnicas para identificar riscos climáticos nas cidades brasileiras, como inundações, deslizamentos de terra e problemas relacionados à segurança hídrica. A ferramenta também apresenta Soluções Baseadas na Natureza para ajudar municípios e a sociedade a reduzir impactos e se adaptar às mudanças climáticas.
As Soluções Baseadas na Natureza (SBN)
Soluções Baseadas na Natureza são estratégias que utilizam processos naturais e ecossistemas para enfrentar desafios urbanos e climáticos. Exemplos incluem restauração de áreas verdes, parques lineares, jardins de chuva, arborização urbana e recuperação de encostas. Além de reduzir riscos como enchentes e deslizamentos, essas soluções melhoram a qualidade de vida, ampliam áreas de lazer e fortalecem a biodiversidade.
Sobre a Fundação Grupo Boticário
Com 35 anos de história, a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza é uma das principais fundações empresariais do Brasil que atuam para conservar o patrimônio natural brasileiro. Com foco na adaptação da sociedade às mudanças climáticas, especialmente em relação à segurança hídrica e à proteção costeira, a instituição atua para que a conservação da biodiversidade seja priorizada em todos os setores. Alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, considera que a natureza é a base para o desenvolvimento social e econômico do país. Sem fins lucrativos e mantida pelo Grupo Boticário, a Fundação Grupo Boticário contribui para que diferentes atores estejam mobilizados em busca de soluções para os principais desafios ambientais, sociais e econômicos. Já apoiou mais de 1.800 iniciativas em todos os biomas no país. Protege duas reservas naturais de Mata Atlântica e Cerrado – os biomas mais ameaçados do Brasil pelo desmatamento –, somando 11 mil hectares, o equivalente a 70 Parques do Ibirapuera. Com 1,4 milhão de seguidores nas redes sociais, busca também aproximar a natureza do cotidiano das pessoas. A instituição é fruto da inspiração de Miguel Krigsner, fundador e presidente do Conselho do Grupo Boticário, criada em 1990, dois anos antes da Rio-92 ou Cúpula da Terra, evento que foi um marco para a conservação ambiental mundial. | www.fundacaogrupoboticario.org.br | @fundacaogrupoboticario (Instagram, Facebook, LinkedIn, Youtube, TikTok).
Fonte: Fundação Grupo Botícário

